Edição Junho de 2026

Dia do Meio Ambiente evidencia importância da Engenharia diante dos desafios climáticos

Nova Câmara Especializada de Engenharia Ambiental e Sanitária do Crea-SP é um avanço decisivo para um futuro mais sustentável

Mudanças climáticas, eventos extremos, escassez hídrica e saneamento básico estão entre os desafios que exigem soluções técnicas cada vez mais qualificadas. Celebrado em 5 de junho e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, durante a Conferência de Estocolmo, o Dia Mundial do Meio Ambiente reforça a importância de ampliar o debate sobre sustentabilidade e preservação dos recursos naturais.

A relevância dos debates sobre o tema também se reflete na criação de espaços de representação dedicados ao segmento. Foi o que fez o Crea-SP, em 2026, quando instalou a Câmara Especializada de Engenharia Ambiental e Sanitária (CEEAS), tornando-se o segundo Conselho do Sistema Confea/Crea a contar com uma estrutura dedicada à área.

A coordenação do colegiado é feita pelo engenheiro ambiental Euzebio Beli, conselheiro do Crea-SP e professor do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (UniPinhal). Para ele, a data é um momento de reflexão. “O Dia Mundial do Meio Ambiente é uma oportunidade estratégica para reforçarmos que as questões ambientais influenciam diretamente na economia, saúde pública, segurança hídrica, produção de alimentos e qualidade de vida da população”, afirma.

Para Euzebio, a nova Câmara demonstra o quanto a modalidade contribui para o desenvolvimento sustentável. “A criação da CEEAS representa um marco histórico para a valorização profissional e para o fortalecimento da atuação técnica em uma área cada vez mais estratégica para o país”, destaca.

Desde a instalação do colegiado, alguns avanços foram observados, especialmente no que diz respeito às diligências realizadas pela área. “Foi dado um passo muito importante com a criação de um plano de fiscalização para o Estado de São Paulo. Antes, as ações da especialidade eram executadas em conjunto com o plano da Engenharia Civil. Agora, teremos um planejamento específico”, pontua.

Além das questões relacionadas ao exercício profissional, a Câmara também acompanha debates ligados aos principais desafios ambientais da atualidade. Em São Paulo, temas como segurança hídrica, universalização do saneamento básico, gestão adequada de resíduos, controle da poluição atmosférica, recuperação de áreas degradadas e adaptação às mudanças climáticas exigem planejamento de longo prazo e soluções integradas. Os profissionais atuam na elaboração de planos de contingência, drenagem urbana, sistemas de alerta, gestão de riscos, proteção de recursos hídricos e aumento da resiliência das cidades frente a enchentes, secas prolongadas e ondas de calor.

Segundo o engenheiro, os impactos da atuação dos profissionais da área vão além das questões ambientais e podem ser percebidos em diferentes aspectos da vida da população. “Os benefícios se refletem na redução de riscos ambientais, na melhoria da saúde pública, no aumento da qualidade de vida, na valorização dos recursos naturais e no fortalecimento do desenvolvimento sustentável”, ressalta.

Por fim, Euzebio acredita que a construção de um futuro mais sustentável depende das decisões tomadas no presente. “O meio ambiente não é uma pauta do futuro, mas uma necessidade do presente. Somente haverá desenvolvimento verdadeiro quando ele estiver fundamentado na sustentabilidade, na responsabilidade técnica e no respeito aos limites ambientais do planeta”, conclui.

Expediente

Painel  Online é o boletim informativo da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Marília

Edição de Junho 2026

Presidente
Walter Cação Júnior
Engenheiro Agrônomo

Vice-Presidente
Nivaldo João da Cruz
Engenheiro Civil

Diretor Administrativo
Caetano Motta Filho
Engenheiro Agrônomo

Diretor Adjunto Administrativo
Michel Sudaia Filho
Engenheiro Agrônomo

Diretor Financeiro
Edson Navarro
Engenheiro Eletricista

Diretora Social
Clédina Emiko Yamashita
Arquiteta

Diretora Adjunta Social
Juliana Vila De Moraes
Arquiteta

Diretor Cursos e Palestras
James Lancaster Donovan de Moraes Sales
Engenheiro Civil

Diretor Adjunto de Cursos e Palestras
Regis Eugênio dos Santos
Engenheiro Eletricista

Diretor de Esportes e Lazer
Leonardo Mathias Rampinelli
Engenheiro Civil

Diretor Adjunto de Esportes e Lazer
Rubio Galharim
Engenheiro Civil

Diretora de Comunicação
Andressa Marqueze da Silva Lancaster de Moraes
Engenheira Civil

Diretor Adjunto de Comunicação
Gustavo Henrique Moretti Ferreira
Engenheiro Mecânico

Diretor de Patrimônio
Vitor Manuel Carvalho de Souza Violante
Engenheiro Civil

Diretor Adjunto de Patrimônio
Edson Carlos Rizzo
Engenheiro Civil

Conselho Fiscal

Efetivos

Cassiano Fogaça
Engenheiro Civil

Felipe Justo Fortunato
Engenheiro Civil

Fernando Cesar Favinha Rodrigues
Engenheiro Civil

Suplentes

Larissa Yuri Ishi Amaral
Arquiteta

Marcelo Salmon
Arquiteto

Silvio Angelo Boschetti
Engenheiro Agrônomo

Painel online é o boletim informativo da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Marília.

Jornalista-responsável: Ramon Barbosa Franco – Mtb 32.103

Aniversários AEA Marília

03/06
Juliana Vila de Moraes
Arquiteto Urbanista

João Felipe de Miranda Rui
Engenheiro Eletricista

05/06
Nivaldo João da Cruz
Engenheiro Civil

06/06
Paulo Roberto Lima dos Anjos
Técnico Edificações

07/06
Murilo Pagliuso Chaves
Engenheiro Civil

Otavio Cury Decio
Engenheiro Eletricista

08/06
Marco Antonio Saraiva
Engenheiro Produção

10/06
Nosvaldo Girotto de Souza Junior
Engenheiro Computação

11/06
Paulo Sérgio Piassa Junior
Engenheiro Agrônomo

12/06
Valter Librais Junior
Engenheiro Eletricista

15/06
Joaquim Rodrigues Mendonça Junior
Engenheiro Agrônomo

Rafael Ferreira Borba
Engenheiro Civil

16/06
Valter Laurentino da Silva
Engenheiro Civil

17/06
André Luiz Ferioli
Engenheiro Civil

Gustavo Lorenzetti Menin
Engenheiro Civil

18/06
Luiz Antonio Ferreira Passos
Engenheiro Eletricista

19/06
Marcelo Água Nova da Rocha
Engenheiro Agrônomo

Tiago Molero Bezerra
Engenheiro Civil

20/06
Ronan Gualberto
Engenheiro Agrônomo

21/06
Pedro Ricardo Barbaroto
Engenheiro Eletricista

22/06
José Alfredo Lima
Técnico Agrícola

24/06
João Vinicius Aparecido Gonzaga Destro
Engenheiro Eletricista

27/06
Miriam Lucia Galhardo Guedes
Arquiteto Urbanista

Luiz Fernando Gentile
Arquiteto Urbanista

Victor Hugo Marçal de Souza
Engenheiro Civil

29/06
Pedro Henrique Lorenzetti Losasso
Engenheiro Agrônomo

Palavra do Presidente

A engenharia e o nosso futuro sustentável

por engenheiro agrônomo Walter Cação Júnior

A celebração mundial do Dia do Meio Ambiente, estabelecida em 5 de junho, convida todos os profissionais do setor tecnológico a refletir sobre o impacto direto de suas atribuições na construção de um amanhã equilibrado. A engenharia, a arquitetura e a agronomia deixaram de ser apenas vetores de progresso técnico para se tornarem pilares essenciais de sobrevivência e conservação. Cabe a nós desenhar as cidades inteligentes, otimizar os recursos do campo e estruturar processos urbanos e rurais que respeitem os limites do planeta. Tenho a plena convicção de que nenhuma transformação sustentável se consolida sem o conhecimento técnico qualificado.

Por essa razão, a nossa gestão na AEA Marília mantém o compromisso inabalável de oferecer as ferramentas conceituais necessárias para que os nossos associados liderem essa agenda de preservação com o máximo de responsabilidade e protagonismo. Um exemplo prático desse nosso direcionamento ocorreu recentemente no mês de maio, quando concluímos o treinamento sobre licenciamento ambiental no campus da Unimar. Sob a coordenação de especialistas experientes, o curso aprofundou temas vitais como a gestão de recursos hídricos e a consultoria técnica estratégica.

Esse avanço na qualificação continuada de nossa categoria só foi possível graças à parceria sólida firmada entre a AEA Marília, a Mútua São Paulo e o Sistema Confea/Crea. O suporte institucional da nossa caixa de assistência, detalhado de forma exemplar em nossa abertura, evidencia a força da união corporativa em benefício do profissional. O alinhamento demonstra que o aprimoramento técnico e a valorização das carreiras tecnológicas caminham lado a lado com as demandas ecológicas contemporâneas da nossa região.

Contudo, a excelência profissional também se constrói por meio do convívio fraterno e do compartilhamento de experiências. É com imensa satisfação que convido todos a participarem da nossa 2ª edição do Almoço Gourmet, agendado para o próximo dia 21 de junho de 2026, a partir das 12 horas. Queremos reunir a nossa comunidade técnica para celebrar os colegas que completaram aniversário nos meses de abril, maio e junho, os quais serão contemplados com convites de cortesia para esta merecida homenagem. Nossa sede própria, localizada na rua Mecenas Pinto Bueno, nº 1.207, está totalmente preparada para acolher os amigos e familiares em um ambiente de celebração especial. Dispomos de uma estrutura de excelência com coworking modernizado, salão social receptivo, varanda gourmet completa, quiosque e campo de futebol.

Estar associado à AEA Marília representa fazer parte de um ecossistema focado na defesa da ética profissional, na ampliação de redes de contato e no fortalecimento das prerrogativas técnicas locais. Por isso, convido cada engenheiro, arquiteto e agrônomo da nossa cidade a se engajar diretamente nessa causa institucional e a convidar os colegas que ainda não fazem parte do nosso quadro a se unirem a nós.

O crescimento e a representatividade de nossa classe dependem da participação ativa de cada profissional. Venham nos visitar, conheça de perto os benefícios oferecidos e descubra como a nossa associação pode impulsionar sua carreira. Para obter mais detalhes sobre o processo de filiação e garantir sua presença em nossos eventos, entre em contato pelo telefone (14) 9.8121-9548 ou faça-nos uma visita presencial.

Walter Cação Júnior é engenheiro agrônomo e presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (AEA Marília) biênio 2026-2027

AEA Marília promove 2º Almoço Gourmet no domingo, 21 de junho, a partir das 12h

Chef convidado para a edição que celebrará os aniversariantes de abril, maio e junho é o agrônomo Sílvio Boschetti

A Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Marília (AEA Marília) promoverá no domingo, dia 21 de junho de 2026, a partir das 12 horas, a 2ª edição do Almoço Gourmet. Organizado pela diretoria da entidade, o evento irá celebrar os associados e familiares de associados que completaram aniversário nos meses de abril, maio e junho. “O almoço gourmet é uma tradição da AEA Marília e para os associados que estão celebrando aniversário nos meses referentes a esta 2ª edição, contemplamos com cortesias de entrada”, informou o presidente da associação e engenheiro agrônomo Walter Cação Júnior.

A cada edição um chef é convidado para elaborar a receita que será servida aos aniversariantes, associados e convidados. Desta vez a diretoria convidou para preparar uma saborosa feijoada o engenheiro agrônomo Sílvio Boschetti. Os convites já estão à venda e podem ser adquiridos a R$ 75 – convidados com idade acima de 12 anos, e R$ 35 – ingressos para crianças de 8 a 11 anos. Crianças até 7 anos não pagam.

O almoço acontecerá na varanda gourmet da sede da AEA Marília, localizada na rua Mecenas Pinto Bueno, nº 1.207, proximidades do Esmeralda Shopping. Além da tradicional feijoada e acompanhamentos desse típico prato da culinária brasileira, o convite dará direito ao consumo de bebidas, como chopp, refrigerantes e água. Como não haverá venda de convites no domingo do almoço (21 de junho), a diretoria orienta aos interessados realizar a compra de forma antecipada. Mais informações e orientações através do telefone (14) 9.8121-9548.

Serviço

2º Almoço Gourmet da AEA Marília

Domingo, 21 de junho de 2026, a partir das 12h

Sede da AEA Marília

Rua Mecenas Pinto Bueno, nº 1.207 – próximo ao Esmeralda Shopping

Cardápio: tradicional feijoada e acompanhamentos preparados pelo engenheiro agrônomo e chef convidado Sílvio Boschetti

Inclusos no convite: Almoço completo e bebidas (chopp, refrigerante e água)

Valores: R$ 75 (acima de 12 anos) e R$ 35 (crianças de 8 a 11 anos). Crianças até 7 anos não pagam. Associados aniversariantes dos meses de abril, maio e junho têm cortesia de entrada.

Informações: (14) 9.8121-9548

 

A caminho da erradicação das arboviroses do mosquito Aedes aegypti

Se pudéssemos sintetizar a trajetória de um pesquisador como Luciano Andrade Moreira, poderíamos dividir as seis décadas que ele irá completar em dezembro próximo em três destes períodos: aos 20, quando cursava Agronomia na Universidade Federal de Viçosa-MG e conheceu a engenheira florestal Eliane Moreira, sua esposa desde aquela época; aos 40, quando aprofundava seus estudos (hoje com dois Pós-Docs e um PHD), e aos 59, quando ele foi anunciado pela Revista Nature como uma das 10 pessoas que moldaram a ciência em 2025. Verdadeiro Oscar para qualquer pesquisador do seu nível, em se tratando da principal publicação científica do mundo.

A entomologia, desenvolvida ao longo de alguns anos no laboratório da UFV, sedimentou sua vocação para a Ciência Aplicada, motivação que o fez dar continuidade à sua formação. E é justamente em torno de um inseto, o (lamentavelmente) famoso Aedes aegypti – vetor da dengue, Chikungunya e da Zika, responsáveis por milhares de mortes em todo o mundo – que Luciano Moreira vem construindo a etapa mais profícua desta trajetória.

Em síntese, representada por estudos que promovem a reprodução e a propagação em massa de mosquitos acrescidos de uma bactéria presente em mais da metade dos insetos na natureza, a Wolbachia que, ao ser inoculada, impede o desenvolvimento dos vírus dessas doenças tropicais (arboviroses). Daí, é só deixar a natureza fazer sua parte. Se a fêmea do mosquito tiver Wolbachia e o macho não, seus ovos conterão a bactéria, enquanto, se o macho tiver a Wolbachia, e a fêmea não, os ovos produzidos não geram filhotes. A bactéria não é transmitida para humanos, reduzindo, ano a ano, os casos das doenças naqueles ecossistemas específicos já protegidos.

São duas frentes de atuação no país, a primeira em Belo Horizonte, onde está sendo concluído o convênio entre a Fiocruz e o World Mosquito Program (WMP), mantido em 14 países. A parceria está em fase de encerramento, mas ainda estará sendo implantada em municípios de São Paulo (Presidente Prudente), Minas Gerais (Uberlândia) e Rio Grande do Norte (Natal). Ele já protege as cidades de Niterói (RJ), Foz do Iguaçu (PR), Londrina (PR) e parte de Joinville (SC), além de parte das capitais mineira e fluminense. “E também envolve um trabalho lá no Vale do Paraopeba, onde teve o acidente da Vale, em Brumadinho (MG). Quem está capitaneando o programa lá é a Eliane, minha esposa”.

O segundo “braço” fica no Paraná, onde, desde o ano passado, funciona a “maior biofábrica de mosquitos do mundo”, com 3,5 mil metros quadrados. Identificada pelo nome do programa, Wolbito, ela já atendeu a três municípios do Sul (Balneário Camboriú, Blumenau e o segundo trecho de Joinville, todos em Santa Catarina) e três do Centro-Oeste (Brasília, Val Paraíso e Luziânia, ambos em Goiás).

A iniciativa é fruto de uma parceria do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP, vinculado à Fiocruz) e o WMP. “Ela atende ao Ministério da Saúde. Então, ela produz os ovos, que são enviados em forma de cápsulas para os municípios. Toda a parte de campo é feita pelos agentes de saúde”.

Pesquisador da Fiocruz desde 2002, Luciano Moreira mantém a esperança na erradicação das três doenças por meio de ações desenvolvidas em uma colaboração com o ministério da Saúde desde 2014, batizada em 2019 de Wolbitos (em referência ao vetor e à bactéria benéfica que ele abriga).

A nova parceria entre a Fiocruz  e World Mosquito Program tem a capacidade de proteger 14 milhões de habitantes por ano nos municípios com os piores índices de transmissão de dengue. “Temos capacidade para produzir 100 milhões de ovos por semana. Se dobrássemos essa frequência, certamente seria possível erradicar essas doenças no país nos próximos 10 anos”, considera, não desmerecendo nem a vacina contra a dengue, nem as profilaxias ainda necessárias. E apresentando dados como a redução de 89% dos casos em Niterói e de 63%, em Campo Grande.

Se o Oscar não veio para o ator Wagner Moura no filme “O Agente Secreto”, ele pôde compartilhar um pouco da esperança que se multiplicará pelo país nos próximos anos, ao conhecer Luciano durante a homenagem das 100 pessoas mais importantes segundo outra revista bastante respeitada, a Time. Além deles, apenas outra representação brasileira, a engenheira agrônoma, Mariangela Hungria – reconhecida por seus trabalhos de pesquisa genética com bactérias que reduzem o uso de fertilizantes em listas e comendas igualmente expressivas para a ciência brasileira, como o World Food Prize (o Nobel da Agricultura), no ano passado.

Na entrevista a seguir, o pesquisador fala dessa trajetória com mais detalhes, descreve alguns aspectos da construção da sua pesquisa (o Método Wolbachia), lamenta a crise para a permanência de pesquisadores no país, ressalta a importância da mobilização das populações alcançadas e faz considerações àqueles que não acreditam na ciência.

 

Confea Eu gostaria que você lembrasse um pouco de Viçosa, falasse como você se lembra daqueles anos de estudo, quando você, na certa, nunca imaginou chegar em uma situação dessas. Como você vê hoje aquele estudante de Viçosa que conheceu a Eliane, sua esposa, há 40 anos?

Eng. agr. Luciano Moreira – Eu passei 11 anos em Viçosa. Eu sou de São Paulo e tinha vontade de sair de São Paulo, sempre gostei de natureza e me encontrei na engenharia agronômica. Tem até aquela coisa de os engenheiros não considerarem agrônomos como engenheiros, mas eu considero sim porque a gente faz todos os cálculos da vida, todas as coisas, todos os cálculos que qualquer engenheiro faz, físicas e químicas.  A formação (inicial) acho que é única, mais no final do curso que a gente tem a diferenciação. Mas uma coisa boa de Viçosa foi que ela possibilitou muitos laboratórios, e eu me identifiquei na entomologia e comecei a trabalhar com insetos que não eram vetores de doenças, mais na área de agricultura. Primeiramente, na parte de ecologia e depois na parte de controle biológico, coisa que eu sempre busquei, eu sempre gostei de uma coisa aplicada, trazer soluções para a sociedade. Eu trabalhava com percevejos predadores de lagartas. Eu cheguei a fazer um trabalho com pragas de florestas de eucaliptos. E conheci minha esposa no segundo ano da minha graduação, ela estava iniciando, ela é engenheira florestal, e depois fiz pós-graduação, mestrado, doutorado, parte em Viçosa, já com o tomateiro, mais a parte molecular, procurando genes de resistência para controle de pragas de tomateiro. E aí eu consegui uma bolsa para ir para a Holanda, a gente ficou um ano e meio lá e nossa filha nasceu lá, em 98, ano em que a gente estava voltando para o Brasil com uma crise enorme de bolsas e eu tive a oportunidade de ir para os Estados Unidos para fazer o pós-doutorado. E aí a gente não pensou duas vezes. Nossa filha com 15 meses e a gente ficou lá quatro anos e meio. Voltando, Viçosa é uma cidade incrível e muito pequena, em que os alunos ficam muito juntos o tempo todo. Então, fiz muitos amigos, e a vida acadêmica na universidade é muito boa, tem muitas oportunidades ali, em muitas áreas.

Confea – Você diria que a entomologia foi o principal elemento que permaneceu até seu estudo com os mosquitos?

Eng. agr. Luciano Moreira – Eu acho que sim. Lógico, não foi planejado, todo esse trajeto foi uma coisa que foi me levando. Eu não trabalhava com os insetos, era mais na área de agricultura. E quando eu fui para os Estados Unidos, tive o meu primeiro contato com o mosquito transmissor de malária. Eu trabalhei com mosquitos transgênicos que são outra espécie de mosquito, mas isso foi me levando para essa área. Aí, eu fiz concurso em 2002 para pesquisador da Fiocruz, e nós voltamos para o Brasil. E aí, eu comecei a trabalhar com Aedes aegypti em 2008, quando eu fui fazer um segundo pós-doc, na Austrália.

Confea – Como foi esse momento com a sua chegada ao projeto do professor Scott O’Neill?

Eng. agr. Luciano Moreira – O Scott O’Neill, que é quem começou toda essa ideia, já trabalhava com a bactéria. Aí ele passou quatro anos com vários pós-docs e alunos dele para conseguir fazer a transferência da bactéria da mosca da fruta para os ovos do Aedes aegypti. Quando eu cheguei para o pós-doc, eles tinham acabado de fazer uma linhagem de Aedes aegypti com a bactéria. E a pergunta era: o que vai acontecer com a dengue? E nós começamos a fazer os trabalhos com dengue. E aí foi a grande descoberta de que a Wolbachia estava bloqueando na realidade a replicação do vírus dentro do mosquito. Essa foi a minha contribuição lá.

Confea – Como as populações são preparadas para receber os mosquitos? Quantas pessoas já estão protegidas no país?

Eng. agr. Luciano Moreira – Antes de soltar os mosquitos, é feito todo um engajamento comunitário, conversando com os setores de saúde e educação, lideranças sociais, agentes de saúde. E explicamos que, por um tempo, vamos soltar mosquito, mas depois isso se torna sustentável, não precisa mais continuar a ser feito. Eu tenho relatos do início lá de Niterói, quando a gente começou, o pessoal era bastante cético. “Como vocês vão soltar mosquitos para controlar a dengue?”. Hoje, eles veem os resultados e acham excelente. Pessoas que tinham resistência, hoje são super parceiros. Tem vários depoimentos sobre isso, é superlegal. São mais de cinco milhões de pessoas protegidas, em 16 municípios (com mais de 100 mil habitantes), no Brasil. No início, era bastante lento. Em Niterói, por exemplo, demorou oito anos para cobrir várias etapas de expansão. Começou em 2015 e só foi finalizar em 2023. Mas, hoje, a gente está fazendo o processo muito mais rápido, teve uma melhoria do processo, a gente teve uma curva de aprendizado grande durante esses anos. 

Confea – Qual a sua estimativa para o Brasil todo ser contemplado?

Eng. agr. Luciano Moreira – Hoje, a empresa Wolbito do Brasil tem uma capacidade de produzir 100 milhões de ovos por semana e com essa quantidade a gente pode proteger 14 milhões de brasileiros a cada ano com essa fábrica em Curitiba. Então, em 10 anos, são 140 milhões de pessoas. Então, grande parte da população do país poderia ser contemplada.

Confea – Mas essa média não está acontecendo ainda.

Eng. agr. Luciano Moreira – Por enquanto, não, a gente está aguardando os contratos que estão em andamento com o Ministério da Saúde, mas tem uma possibilidade de que,  nesse ano, pelo menos 16 novos municípios iniciem a aplicação do método e algumas dezenas para o próximo ano. Então, é uma questão de tempo para que isso aconteça.

Confea – Não se pode atribuir ao programa essa queda do número de casos que estamos verificando esse ano…

Eng. agr. Luciano Moreira – Olha, onde a gente coloca é. Mas é importante dizer que dengue é sazonal. Ou seja, mais ou menos a cada quatro anos, você tem os picos das epidemias acontecendo. E nos lugares em que a gente aplicou, comparando com 10 anos atrás, você vê sim essa redução. Então, teve Niterói, Campo Grande com a redução de 63% de casos de dengue. Não é imediato. Os políticos querem resolver o problema para a próxima estação chuvosa, e nós sempre deixamos muito claro, não é no mesmo ano. Não é um produto químico que a gente vai pulverizar e vai resolver. Os resultados positivos começam a aparecer a partir do segundo ano. Em 2024, a gente teve uma epidemia que nunca teve no Brasil e isso, então, é como se você estivesse vacinando grande parte da população para que a população fique imune àquele sorotipo de dengue. Quando aparecer outro, aí pode ter novos casos. Por isso, você não consegue atribuir à Wolbachia, nesse caso, ou à vacina.

Confea – Há três ou quatro anos, eu estava numa fila de banco e uma senhora se disse muito preocupada e me perguntou se eu havia visto que estavam fabricando e soltando mosquitos por aí. O que você diria para essa senhora?

Eng. agr. Luciano Moreira – Engraçado que a gente começou um trabalho em Brasília em agosto do ano passado e terminou agora no início desse ano, atingindo uma população de 400 mil a 500 mil pessoas que foram protegidas com os mosquitos. Há quatro anos, não tinha sido liberado isso aí ainda, mas ela estava preocupada.  Eu diria para ela que a dengue causa muitas mortes e muitas morbidades, a Zika e a Chikungunya também. O Método Wolbachia é um método inovador e natural, não traz nenhum malefício, nem para as pessoas, nem para os animais, nem pro meio ambiente. É uma coisa natural, e o mais importante, é autossustentável. A partir do momento em que os mosquitos se estabelecem numa localidade, você não precisa mais voltar, então, a população fica protegida. É como você vacinasse aqueles mosquitos e eles, então, não vão transmitir mais aquelas doenças, você traz um benefício pra população. Mas a gente sempre deixa muito claro que o Método Wolbachia não é uma bala de prata. Não é a solução de todos os problemas, então, continuam outras ações, as pessoas têm que fazer esse dever de casa, mas é um método muito promissor, que já mostrou muitos resultados promissores, tanto fora do Brasil, como aqui no Brasil. Em Niterói, a gente teve uma redução de 89% dos casos de dengue, depois que o programa foi aplicado. Portanto, são muitas vantagens. Então, eu diria para a senhora ficar tranquila porque não causa nenhum problema para ela e, pelo contrário, vai protegê-la dessas doenças que o mosquito poderia transmitir.

Fonte: Confea https://www.confea.org.br/

Atestado de Capacidade Técnica já está disponível no CreaNet

Nova funcionalidade moderniza a emissão da CAT e amplia a segurança e a agilidade para os profissionais

O Crea-SP avança mais uma etapa na modernização de seus serviços digitais com o lançamento do Atestado de Capacidade Técnica digital, agora disponível diretamente no CreaNet. A novidade amplia a lista de soluções oferecidas na plataforma e representa um ganho significativo em praticidade, segurança e transparência para os profissionais registrados.

Com o novo serviço, o profissional pode emitir o atestado de forma totalmente digital, a partir da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada e do contrato firmado, enviando o documento diretamente ao contratante para análise. Caso esteja de acordo, o contratante realiza a assinatura eletrônica dentro da própria plataforma, garantindo autenticidade ao processo. Após a assinatura, o atestado permanece disponível no sistema, permitindo que o profissional solicite posteriormente a Certidão de Acervo Técnico (CAT) de forma mais ágil.

Para a presidente do Crea-SP, engenheira Lígia Mackey, a funcionalidade reforça o compromisso do Conselho com a valorização profissional e a eficiência dos serviços. “O Atestado de Capacidade Técnica digital facilita a vida do profissional ao eliminar etapas burocráticas e trazer mais segurança a todo o processo. É uma solução que oferece confiabilidade, agilidade e respaldo técnico, alinhada às demandas atuais do mercado”, afirma.

Além de modernizar a emissão da CAT, o novo produto fortalece a integração entre informações técnicas, contratos e ARTs, promovendo mais transparência na relação entre profissionais e contratantes. Todo o fluxo acontece em um ambiente único e seguro, reduzindo riscos e otimizando o tempo de quem utiliza o serviço.

O Atestado de Capacidade Técnica digital, disponível no CreaNet – versão Beta, faz parte de um conjunto de iniciativas voltadas à transformação digital do Crea-SP, que busca simplificar processos, ampliar o acesso aos serviços e tornar a experiência do usuário cada vez mais eficiente e confiável.

Fonte: Crea SP – visite o site oficial www.creasp.org.br

CREA-SP apresenta relatório para auxiliar gestão pública em infraestrutura

Texto disponível na internet ajuda a mapear riscos para população das cidades

O CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), sob liderança nacional do CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), lançou relatório voltado a auxiliar a articulação com gestores públicos de todo o país, beneficiando Estados e Municípios.

O texto está disponível no site infrabr.org.br  e é uma ferramenta de diagnóstico e análise territorial, baseada em dados públicos e oficiais, que avalia o desempenho da infraestrutura em todo o Brasil. Os eixos temáticos do estudo são: Energia e Conectividade, Mobilidade, Água, Bem Estar Social e Cidadania, Meio Ambiente e Resiliência, e Saneamento Básico.

O CREA-SP destacou que São Paulo tem desempenho acima da média nacional na dimensão Meio Ambiente e Resiliência, considerando fatores como cobertura vegetal, áreas verdes urbanas e programas para redução de gases ou efeito estufas, segurança de barragens e planejamento para drenagem e monitoramento de águas pluviais.

Mesmo assim, é importante que as prefeituras e associações civis interajam em busca de diagnósticos que previnam acidentes e tragédias. A China, país que tem se destacado em grandes obras e projetos de infraestrutura, é amplamente reconhecida como um ‘Estado de Engenheiros’, cuja sociedade e liderança priorizam o pragmatismo e a resolução de problemas complexos.

Fonte: Crea SP – visite o site oficial www.creasp.org.br

 



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